Reforma Tributária 2026 – Como vai funcionar na prática?

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A reforma tributária sobre o consumo foi aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025. Juntas, elas criam um novo modelo de tributação no Brasil, baseado em um IVA dual – um imposto sobre valor agregado federal e outro estadual/municipal.

Na prática, cinco tributos atuais sobre consumo serão gradualmente substituídos:

  • PIS
  • Cofins
  • IPI
  • ICMS
  • ISS

No lugar deles entram:

  • CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal
  • IBS – Imposto sobre Bens e Serviços, de competência de estados e municípios
  • Imposto Seletivo, aplicado a produtos considerados nocivos ou específicos (ex. cigarros, bebidas, etc.) Serviços e Informações do Brasil+1

2026 é o ponto de partida dessa transição.


O que muda em 2026 – o ano de teste da CBS e do IBS

Em 2026 começa a fase piloto do novo sistema. As empresas passam a conviver com os novos tributos, mas ainda de forma gradual.

Principais pontos:

1. CBS e IBS aparecem nas notas fiscais

A partir de 1º de janeiro de 2026, notas fiscais eletrônicas passam a ter campos específicos para CBS e IBS. As empresas devem destacar:

  • CBS: 0,9%
  • IBS: 0,1%

Essas alíquotas são simbólicas, servem para testar o sistema e calibrar o modelo. Serviços e Informações do Brasil+2Senado Federal+2

Em boa parte dos casos, esses valores terão caráter informativo e serão compensados com PIS e Cofins devidos no período, sem aumento real de carga tributária em 2026. Serviços e Informações do Brasil+1

2. Ainda não é o “novo regime completo”

Importante: em 2026 os tributos atuais continuam existindo normalmente:

  • PIS e Cofins
  • ICMS
  • ISS
  • IPI (com exceções na sequência da transição)

Ou seja, 2026 não é o ano em que tudo muda de uma vez. É o ano em que:

  • As empresas começam a declarar CBS e IBS
  • O governo testa sistemas, cruzamentos e regras
  • Erros operacionais podem ser identificados antes da cobrança cheia dos novos tributos FENACON+1

3. Obrigações acessórias ganham peso

Mesmo com alíquota baixa, a obrigação acessória passa a ser séria:

  • Adequar sistemas de emissão de NF-e
  • Parametrizar corretamente produtos e serviços
  • Identificar o que é base de CBS e IBS
  • Enviar as informações no layout exigido pelos fiscos

Para 2026, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS já divulgaram comunicado conjunto com orientações específicas sobre como as empresas devem cumprir essas obrigações. Serviços e Informações do Brasil+1

Em muitos casos, quem cumprir corretamente as obrigações acessórias em 2026 terá dispensa de recolhimento efetivo dos valores de CBS e IBS nessa fase de teste. Comsefaz+1


Cronograma resumido da transição depois de 2026

Embora o foco seja 2026, vale explicar o cenário que vem logo depois, porque isso impacta planejamento:

  • 2026
    • Ano de testes da CBS (0,9%) e IBS (0,1%)
    • Tributos atuais continuam valendo
    • Obrigações acessórias novas passam a ser exigidas
  • 2027 em diante
    • Começa a cobrança efetiva da CBS em alíquota cheia
    • IBS ainda com alíquota reduzida nos primeiros anos
    • Entra em vigor o Imposto Seletivo
    • PIS e Cofins são extintos e o IPI é reduzido, com exceções específicas Senado Federal+1
  • Até 2033
    • ICMS e ISS vão sendo reduzidos gradualmente
    • IBS sobe gradualmente
    • Ao final da transição, ICMS e ISS são extintos e IBS assume o lugar como tributo único subnacional sobre consumo Tax Group+1

Como vai funcionar o novo modelo na lógica do dia a dia

Mesmo em fase de transição, já dá para entender a “cara” do sistema que está chegando.

1. IVA dual – dois impostos, uma lógica

O Brasil passa a ter um IVA de duas camadas:

  • CBS – federal
  • IBS – estadual e municipal

Ambos seguem a mesma lógica básica:

2. Créditos e débito de imposto

A empresa passa a operar assim:

  • Na compra – gera crédito de CBS/IBS
  • Na venda – calcula o débito de CBS/IBS
  • Paga a diferença entre débito e crédito

O objetivo é reduzir “efeito cascata” e dar mais transparência à carga tributária. Serviços e Informações do Brasil+1

3. Imposto Seletivo

Além de CBS e IBS, há o Imposto Seletivo, que:

  • Incide sobre produtos específicos (ex. itens nocivos à saúde ou ao meio ambiente)
  • Tem função mais regulatória do que arrecadatória
  • Não segue a mesma lógica ampla de CBS/IBS ::Conselho Federal de Contabilidade::+1

O que a sua empresa precisa fazer já em 2025 para não sofrer em 2026

Mesmo que 2026 seja “ano de teste”, quem deixar para a última hora vai sofrer.

Pontos críticos:

  1. Sistemas fiscais e ERP
    • Adequar NF-e para os novos campos de CBS e IBS
    • Testar emissão com as novas informações
    • Validar integrações com contabilidade e financeiro Nota Fiscal Eletrônica+1
  2. Cadastro de produtos e serviços
    • Revisar NCM, CEST, CNAE
    • Verificar enquadramento nas novas regras da CBS e do IBS
  3. Processos internos
    • Treinar equipe fiscal, faturamento e financeiro
    • Ajustar rotinas de conferência das notas
    • Atualizar controles de créditos de tributos sobre consumo
  4. Planejamento tributário
    • Simular impacto da reforma no longo prazo
    • Ver se o regime atual (Simples, Presumido, Real) continua fazendo sentido no novo cenário

Principais impactos práticos para empresas

Em resumo, o que o empresário deve esperar:

  • 2026
    • Mais complexidade operacional
    • Necessidade de adaptação tecnológica
    • Surgimento de CBS e IBS nas notas, ainda de forma experimental
  • Curto e médio prazo
    • Fim gradual de PIS, Cofins, ICMS, ISS e boa parte do IPI
    • Mudança na formação de preços e margens
    • Aumento da fiscalização automatizada com base em dados de NF-e

O grande risco para quem ignorar a reforma não é só pagar mais imposto, mas cometer erros formais, cair em malha e acumular autuações.

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Cintia Campos & Francine Brito

Especialistas em contabilidade empresarial com mais de 9 anos de experiência.

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